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Invista no setor de tecnologia: ainda há espaço para crescer?

Invista no setor de tecnologia: ainda há espaço para crescer?

16/05/2026 - 18:35
Maryella Faratro
Invista no setor de tecnologia: ainda há espaço para crescer?

O setor de tecnologia no Brasil vem se destacando como um dos segmentos de maior dinamismo econômico. Entre as incertezas do cenário global e as oportunidades discretas, muitos investidores se questionam: ainda vale a pena alocar recursos nessa área?

Este artigo apresenta dados históricos, projeções futuras, riscos e oportunidades, oferecendo uma perspectiva completa para quem busca tomar decisões fundamentadas e inspiradoras.

Panorama histórico e crescimento recente

De 2021 a 2025, o mercado de TI/TIC do Brasil passou por uma transformação significativa. Em 2025, as receitas de TI atingiram US$ 67,8 bilhões, um crescimento de 18,5% em relação ao ano anterior, superando a média global de 14%. Esse avanço posicionou o país entre as dez maiores economias de TI do mundo.

No ano anterior, o volume investido em TI alcançou US$ 58,6 bilhões, consolidando o setor em R$ 762,4 bilhões, cerca de 6,5% do PIB nacional. Entre 2021 e 2023, o macrossetor TI/TIC expandiu a uma taxa média anual de 11,9%, empregando 2,05 milhões de pessoas, com salário médio 2,1 vezes acima da média nacional.

Historicamente, o segmento de hardware dominava mais de 60% dos investimentos, mas essa proporção caiu para 47% em 2024, enquanto software e serviços conquistaram 26-31% e 20-22% do total, respectivamente. Essa mudança reflete a transição para soluções mais baseadas em nuvem e inteligência artificial.

Projeções futuras: cenários e potencial de crescimento

Para o período de 2026 a 2034, as estimativas apontam para um crescimento consistente, ainda que em ritmo moderado em alguns anos. A seguir, uma visão resumida:

Na América Latina, o Brasil lidera com 30% do mercado total de TI/TIC, seguido por México (22,1%) e Argentina (13,6%). Estima-se que a digitalização possa gerar até US$ 1,3 trilhão em impacto anual para a região.

Distribuição de investimentos por segmento

O cenário atual de alocações mostra uma diversificação crescente. Confira abaixo como os recursos estão distribuídos:

  • Hardware dominando infraestruturas de IA: 47-53,7% dos gastos, cerca de US$ 26,5 bi;
  • Software e aplicações corporativas: 26-31%, equivalente a US$ 13 bi;
  • Serviços de TI e consultoria: 20-22%, aproximando-se de US$ 10 bi.

Entre os segmentos mais atraentes destacam-se telecomunicações (+37% em 2026) e cibersegurança, motivados pela crescente demanda por redes seguras e integradas.

Posição global e regional do Brasil

Internacionalmente, o Brasil figura entre a 9ª e a 12ª maior economia de TI/TIC, investindo de 4% a 7,8% do PIB em tecnologia. Na América Latina, detém a liderança absoluta, com projeções de chegar a US$ 176,6 bilhões em 2026.

Comparado à média global de crescimento de 14%, o país apresentou 18,5% em 2025, mas as projeções indicam desaceleração para 5,3% em 2026, reflexo de fatores macroeconômicos e políticos.

Retorno econômico e impacto social

Investir em tecnologia nacional gera impactos expressivos: a indústria doméstica de TI devolve até 85% do valor investido à economia, muito acima dos 52% de produtos estrangeiros. Além disso, o setor representa 6,5% do PIB e abriga 2,05 milhões de empregos formais.

O déficit de profissionais qualificados, estimado em dezenas de milhares de vagas não preenchidas, reforça a necessidade de investimentos em educação e capacitação, sobretudo em áreas como IA, Big Data e segurança da informação.

Tendências e principais vetores de crescimento

O futuro da tecnologia no Brasil estará ancorado em algumas tendências-chave:

  • Computação em nuvem e transformação digital, com projeção de R$ 331,9 bi até 2028;
  • Inteligência artificial, movimentando R$ 145,9 bi em investimentos até o mesmo ano;
  • Cibersegurança e Big Data, com mais de R$ 110,5 bi previstos para o horizonte de 2028;
  • Expansão de redes 5G, habilitando serviços inovadores em telecom.

Tais vetores contemplam desde grandes corporações até startups, criando um ecossistema vibrante e diversificado.

Desafios e riscos a considerar

Apesar das perspectivas promissoras, há fatores que podem frear o ritmo de crescimento:

1. Volatilidade cambial e oscilações políticas, sobretudo em anos eleitorais, reduzindo dias úteis e aumento de custos.

2. Deficiência em P&D, com apenas 1,2% do PIB destinado à inovação, abaixo da média da OCDE.

3. Concentração em hardware para IA, o que pode limitar a evolução de serviços e software nacionais.

Oportunidades de investimento específicas

Para quem deseja alocar recursos de forma estratégica, há diversas alternativas:

  • Ações na B3: empresas como Bemobi, ClearSale, Dotz e Enjoei apresentam potencial de valorização;
  • Fundos de Private Equity e Venture Capital: foco em startups de IA, nuvem e cibersegurança;
  • Projetos de capacitação e educação tecnológica: parcerias público-privadas para suprir o déficit de mão de obra especializada.

Em síntese, embora existam desafios, o setor de tecnologia brasileiro ainda tem grande potencial para novos patamares de crescimento. A combinação de demanda local robusta, liderança regional e tendências globais aponta para oportunidades que podem transformar o cenário econômico e social do país.

Investir hoje é, acima de tudo, participar de uma jornada de inovação e desenvolvimento, contribuindo para um futuro mais conectado, eficiente e inclusivo.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro