O mercado de entretenimento ao vivo no Brasil ressurge com força total após o baque da pandemia, mostrando potencial de crescimento e inovação.
Antes de 2020, o setor de eventos e entretenimento ao vivo era responsável por cerca de 4,32% do PIB brasileiro e movimentava anualmente R$ 270 bilhões em mais de 590 mil eventos. A diversificação abarcava shows, feiras, congressos, festivais e espetáculos de arte, atraindo público local e internacional.
Em 2023, o Brasil consolidou-se como um dos mercados mais ativos da América Latina, com receita total de US$ 35 bilhões. A previsão para 2024 e 2026 aponta para US$ 36,8 bilhões e US$ 38,5 bilhões, respectivamente, com taxa média anual de 5,7%, acima da média global de 4,6%.
O setor foi um dos primeiros a fechar e dos últimos a reabrir, sofrendo um impacto quase total em 2020. Medidas de distanciamento social geraram o cancelamento de 350 mil eventos e perdas de R$ 90 bilhões só naquele ano.
Em 2021, com protocolos sanitários rígidos, o faturamento deixou de arrecadar R$ 140 bilhões, resultando na demissão de 450 mil trabalhadores. No acumulado até 2022, estimam-se R$ 270 bilhões em prejuízos e 1,3 milhão de empregos perdidos.
Produtores narram a experiência de “fazer dois anos em um” ao concentrar eventos represados em um único período, evidenciando a pressão logística e financeira sofrida pelo setor.
O conhecido dilema de primeiros a fechar e últimos a abrir motivou debates sobre apoio governamental e adaptação rápida a novas regras de biossegurança em casas de show, arenas e centros de convenções.
A retomada ocorreu em ondas, a partir de meados de 2021. Feiras de negócios registraram mais de 80 eventos confirmados no fim daquele ano, enquanto projeções de entidades indicavam retorno à oferta completa de programação em 2022.
Produtores relataram que o calendário de shows e festivais englobou volumes de produção equivalentes a dois anos em apenas alguns meses, resultado de forte demanda reprimida e agendas lotadas de artistas internacionais.
Casos locais, como a inclusão de casas de show na “Fase 6B” do plano de reabertura do Rio de Janeiro, evidenciam a flexibilidade das autoridades em ajustar normas às realidades culturais de cada região.
Para sustentar a recuperação, foi instituído o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) pela Lei 14.148/2021, oferecendo benefícios fiscais emergenciais para empresas de eventos e turismo.
Essas ações ajudaram empresas descapitalizadas a retomar contratos e planejar novos projetos, mas mantêm o desafio de assegurar a sustentabilidade financeira a médio prazo.
O Brasil demonstra crescimento acima da média global no segmento de experiências ao vivo. A consolidação de grandes eventos como Rock in Rio, Lollapalooza e The Town reforça a atratividade do país para patrocinadores, público e artistas internacionais.
A projeção da PwC indica que as receitas de eventos ao vivo crescerão a uma CAGR de 14,5% até 2027, comparado a 9,6% global. Esse ritmo reforça o papel do Brasil como potência de shows ao vivo, atraindo investimentos e consolidando o país no circuito mundial de entretenimento.
O cenário aponta para um setor em franca expansão, respaldado pela retomada de grandes festivais, pela adaptação digital e por políticas públicas de fomento. A união entre atores da cadeia — produtores, autoridades e público — será crucial para manter o fluxo de inovação e qualidade.
É fundamental que empresas e profissionais cultivem experiências ao vivo ganhando destaque por meio de formatos híbridos, sustentabilidade ambiental e inclusão social, fortalecendo vínculos com comunidades e patrocinadores.
Em síntese, o setor de entretenimento ao vivo no Brasil não apenas superou a crise, mas projeta um futuro robusto, criativo e plural, capaz de impulsionar a economia cultural e consolidar o país como referência mundial em eventos.
Referências